Ao iniciar-se o estudo dos métodos de reanimação e para que eles se possam aplicar com bons resultados para a vítima, será necessário conhecer-se o aparelho respiratório e o seu funcionamento.
Vias respiratórias
Quando ventilamos, o ar é inspirado pelo nariz ou pela boca, passa na faringe, na laringe e canalizado por uma via aérea principal, a traqueia, que se divide em dois grandes brônquios, um direito e outro esquerdo. Estes ramificam-se em bronquíolos, vias mais estreitas, que por sua vez se ramificam até chegar aos alvéolos pulmonares onde se efectuam as trocas entre o sangue e o ar – hematose. Os alvéolos são pequenos sacos muito numerosos, constituindo uma grande área de trocas gasosas, cujas paredes são muito finas e atapetados de capilares sanguíneos.
Função da respiração
A função da respiração é, por um lado, transferir oxigénio do ar para os pulmões (ventilação) onde o sangue vai busca-lo e o faz circular por todo o corpo e, por outro, expelir o dióxido de carbono resultante do metabolismo celular.
O ar
O ar é uma mistura de gases existentes na troposfera terrestre constituído por cerca de 21% de oxigénio. Só 5% do oxigénio é usado na respiração, pelo que, quando expiramos, expelimos 16% juntamente com uma pequena quantidade de dióxido de carbono. Assim, a percentagem de oxigénio expirado pode servir para reanimar outra pessoa. Numa pessoa inconsciente o mecanismo de protecção que evita a aspiração de alimentos sólidos e líquidos, separando as vias respiratórias das digestivas, funciona pior e a sua ineficácia aumenta à medida que a inconsciência se vai tornando mais profunda.
- Para impedir que a comida seja inalada, a epiglote cobre a entrada da traqueia e a comida passa para o esófago.

O ciclo respiratório
A ventilação compõe-se de três fases: entrada de ar (inspiração), saída de ar (expiração) e pausa.
Quando inspiramos os músculos do peito empurram as costelas, permitindo que o tórax se dilate para fora e para cima. O diafragma, um musculo forte que separa a cavidade torácica da abdominal, contrai-se e fica na posição horizontal, aumentando a capacidade do tórax. Esta acção combinada faz com que o ar seja inspirado para o interior dos pulmões e se efectue a troca gasosa.
Quando expiramos o diafragma e os músculos do peito relaxam e retomam a sua posição de descanso. Segue-se uma pequena pausa até o ciclo recomeçar novamente.
Durante a ventilação normal fica, nos pulmões, um resíduo de ar – ar residual – para que a circulação tenha sempre algum oxigénio disponível.
Um centro respiratório no cérebro determina o ritmo e a profundidade da ventilação: o adulto médio ventila, normalmente, de 16 a 18 vezes por minuto, e as crianças de 20 a 30 vezes por minuto. Este ritmo aumenta por vezes em períodos de stress, exercício, ferimentos, ou doença.